Última actualização: 13 May 2016.
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23-11-2017
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

Caso Amélie: dois factos a reter.

 

Caso Amélie: dois factos a reter.
por Filomena Marta 

Facto: Amélie morreu.

Facto: a dor de Maria João Bastos não tem preço.

Dois factos para muitas notícias que nos últimos dias têm vindo a lume sobre a morte inesperada e inexplicada da cadelinha Chihuahua Amélie, companheira e amiga da actriz Maria João Bastos há cinco anos.


Trocam-se acusações e defesas. A actriz comenta na sua página de Facebook a morte da sua cadelinha, após uma intervenção clínica veterinária de rotina: uma simples limpeza aos dentes. O Hospital Veterinário Vasco da Gama responde defendendo-se, mas também acusando e ameaçando com procedimentos legais por difamação.
Recordemos o facto: Amélie morreu.


Morreu depois de um procedimento simples. Reformulemos. Um procedimento simples que necessita de anestesia, e as anestesias nunca são simples, seja em humanos ou não-humanos.


Quem lida de perto com veterinários sabe que nem todos os médicos, nem todas as equipas, nem todas as clínicas têm o procedimento mais correcto no cuidado com os animais e, saliente-se, com os donos desses animais. Sucedem-se casos de negligência, sucedem-se casos de falta de interesse, sucedem-se casos de falta de cuidado, sucedem-se casos de indiferença para com o animal e para com a preocupação e sofrimento do dono do animal.


A Clínica Veterinária no nosso país não é dos melhores exemplos no cuidado dos animais. Não se fala em “tratamento”, porque na maior parte das vezes o tratamento é correcto do ponto de vista técnico, mas fala-se do amor, preocupação e cuidado que os médicos veterinários devem ter com os animais e os seus donos.


Quando um veterinário trata um animal, está também a tratar do seu dono. Uma pessoa que ama profundamente outro ser vivo, que não sabe queixar-se ou defender-se sozinho. Um animal está totalmente à mercê da vontade humana, está completamente dependente e indefeso. Qualquer pessoa que tenha um animal por companhia e o ame, sabe bem o nível de dor sentida quando existe doença e, pior, a morte.


Uma coisa não pode ser evitada ou contornada, e é o segundo facto: a dor da dona de Amélie, Maria João Bastos, não tem descrição nem tem preço.


Só quando os médicos veterinários incutirem no mais profundo dos seus seres que têm nas suas mãos o poder da vida e da morte de um animal, e da felicidade ou terror dos seus donos, poderá acontecer boa clínica veterinária.
Agora, é o contraditório. É a actriz a reportar uma realidade e uma sucessão de acontecimentos que agora são dados como falsos e mentiras pela unidade veterinária. Uma velha questão de “a minha palavra contra a tua”, e a velha questão de que, quiçá, a palavra de uma empresa/instituição valha mais do que a de um particular que apenas pode declarar o que passou e o que se passou, sem testemunhas.


Agora, só a necrópsia, ou autópsia, poderá revelar a razão da morte de Amélie. Tarde demais, porque Amélie morreu. Esperemos que a necrópsia seja feita por uma instituição isenta, e não pela que está envolvida na polémica, o que inquinaria a validade do resultado.


A pergunta que subsiste é se esta morte não poderia e não deveria ter sido evitada.

 

 

 

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