Última actualização: 13 May 2016.
  • Font size:
  • Decrease
  • Reset
  • Increase
23-11-2017
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

Austrália: Coelhos, leitões e gambás vivos usados como isco

 

Crueldade nas corridas de galgos

por Filomena Marta

A notícia da utilização de coelhos, leitões e gambás como isco vivo nos treinos de galgos para corridas está a chocar a Austrália e o mundo. Na Austrália, país com forte tradição na defesa e protecção dos animais, a utilização de iscos vivos é uma prática proibida por lei. A investigação foi feita pela Animals Australia e a Animal Liberation Queensland. Filmagens secretas mostram treinadores a usar coelhos, leitões e gambás vivos como isco para estimular os galgos a correr.

 

Foto: Four Corners


Um treinador foi filmado a dar instruções a um colega no sentido de esmagar a cabeça de um gambá bebé, para que a mãe pudesse ser usada como isco vivo. Noutra parte da filmagem aparecem galgos com animais vivos na boca e um gambá a ser puxado vivo pendurado no mecanismo durante quase uma hora. O The Telegraph cita Lyn White, investigador-chefe da Animals Australia, dizendo: “O que documentámos é repugnante, chocante e profundamente perturbador – não só pela horrenda crueldade, mas pelo comportamento humano que é revelado.”

Esta “horrível crueldade”, como foi definida, acontece na já de si cruel indústria das corridas de galgos. São cruéis todas as explorações de animais para entretenimento ou consumo humano, sejam circos, touradas, corridas de cavalos ou de cães, para não falar nas tenebrosas lutas de cães e galos. A diferença é que umas são crueldade legal enquanto as outras adquirem contornos de crime.

A sociedade humana é dada a estas redundâncias e à separação da noção de crueldade, até que um dia alguma organização activista de defesa dos animais revele imagens chocantes. Como agora. A Four Corners mostrou o que as pessoas não querem ver: coelhos, leitões e gambás usados vivos como isco no treino dos galgos de corrida. Para a sensibilidade dos que comem bons bifes, ver galgos estraçalhar um pequeno animal vivo é um despertar demasiado violento no dia-a-dia de indiferença.

 

Geralmente a comoção dura algumas semanas, criam-se abaixo-assinados, fazem-se notícias de jornal e até de televisão… depois a (fraca) memória humana encarrega-se de empurrar a questão para uma das recônditas gavetas do cérebro e não se pensa mais nisso. Felizmente, estas poucas semanas de comoção podem ser suficientes para serem abertas investigações, detectados os culpados e reposta a legalidade. Neste caso, a legalidade é a continuação da exploração dos galgos, sem a morte cruel e desnecessária dos pobres pequenos animais violentamente despedaçados enquanto iscos vivos.

Depois, continua o gáudio dos espectadores que frequentam estes “desportos” macabros e fazem apostas, tantas vezes, milionárias. Sempre indiferentes ao sofrimento dos animais, que é tão patente na vizinha Espanha, onde os galgos que já não servem para corridas são enforcados e os seus cadáveres assassinados deixados pendurados, como prova sanguinária da estupidez humana.

Um galgo morto por dia na Austrália

De acordo com a Humane Society International Australia, a crueldade nas pistas de corridas de galgos é uma questão recorrente, para os próprios cães e agora também com a revelação da utilização de iscos vivos para os treinos dos galgos.

A Austrália pode bem ter uma tradição de protecção animal, mas é também a terceira maior indústria de corridas de galgos do mundo, com 77 pistas. Só em New South Wales existem 34 pistas de corridas de galgos. São criados todos os anos cerca de 20 mil galgos para corridas na Austrália, levando a uma enorme preocupação sobre a questão da reprodução excessiva.

É vulgar haver ferimentos derivados das corridas, que incluem patas partidas, traumatismos cranianos, paralisia e paragem cardíaca devido à exaustão. São inúmeras as informações de galgos que são mortos de forma desumana e esta indústria, pejada de alegações de crueldade animal, corrupção e reprodução excessiva dos animais, está também na mira por alegada utilização de drogas para aumentar o desempenho dos cães.

Em média morre um galgo por dia nas pistas de corridas australianas. Mortos em nome de um cruel pseudo-desporto, numa indústria que move milhões de dólares em apostas, à semelhança das corridas de cavalos. Uma crueldade com permissão legal, mas que cada vez mais levanta vozes de contestação. Muitos animais saudáveis são mortos, apenas porque não correm suficientemente depressa.

Em Fevereiro de 2014, as Autoridades das Corridas de Galgos de New South Wales anunciaram novas normas de bem-estar animal estabelecendo controlo mais cerrado na reprodução dos animais e no cumprimento das regras. As licenças emitidas limitam o número de galgos que um treinador pode treinar e os cães têm de permanecer com um dono registado durante toda a vida, a não ser que entrem na “reforma” como animais de companhia. Um passo na direcção certa, mas ainda não suficiente para os defensores dos direitos dos animais.

E o terror para os galgos de Espanha

Os galgos são frequentemente usados como desporto em Espanha, geralmente para caçar lebres e outros animais pequenos. No entanto, de acordo com variados relatos e com World Society for the Protection of Animals, centenas de milhares de galgos espanhóis são cruelmente mortos por enforcamento todos os anos, no fim da época de caça.

  

 

Macabramente, os cães que mais perícia demonstraram na caça vêm o seu talento recompensado ao serem enforcados a maior altura ou com cordas mais curtas… o que lhes permite ter uma morte mais rápida. Os cães com pior desempenho são normalmente enforcados com cordas mais longas, de forma a que as suas patas traseiras mal toquem no chão, obrigando-os a sofrer uma morte lenta e agonizante. A este método chamam-lhe “máquina de escrever”, porque as patas de trás tocam repetidamente no chão fazendo os estalidos de uma máquina de escrever.

 

  

 

Os cães que não são mortos com estes requintes de malvadez não enfrentam um destino melhor, pois são mantidos em condições deploráveis. Muitos são abandonados ou forçados a enfrentar mortes horríveis, como serem queimados vivos… e até injectados com lixivia.

Estes actos de terrível crueldade não são ilegais em Espanha, pois as leis de protecção animal apenas se aplicam a cães que são considerados animais de estimação. Cães errantes, de desporto ou de caça não são considerados animais de companhia, portanto, não são protegidos pelas leis anti-crueldade.

 

 

Activistas dos direitos dos animais referem que os caçadores espanhóis enforcam, afogam e envenenam 50 mil galgos todos os anos, de acordo com informações do The Guardian.

Os galgos são usados numa espécie de concurso de caça à lebre, em que dois cães perseguem uma lebre e aquele que mais se aproximar do isco ganha a corrida. Mas os cães devem imitar as guinadas das lebres, e aqueles que não o fazem “humilham” os seus donos e são denominados “galgos sujos” e são mortos pelo método da “máquina de escrever”.

Centenas são abandonados e salvos por grupos de protecção animal, mas são animais tão traumatizados e com tanto medo dos seres humanos que não podem passear numa cidade ou ser adoptados por quem não tenha um jardim ou outros cães com quem possam conviver.

Fontes: Force Change, The Guardian, The Telegraph, Daily Mail, The Independent, ABC Australia, Animals Australia, Animal Liberation Queensland, BBC News, Business Insider, Sky News

 

 

Comentar


Código de segurança
Atualizar

     

Publicidade

Videos de Socorro a Animais

Online

Flag Counter

___________________________________________________