Última actualização: 13 May 2016.
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23-11-2017
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

Editorial 6

 

 

Assistimos recentemente a mais um exemplo da leveza com que é tratada a vida de um animal. Um exemplo, afinal, da forma como são encarados os animais, regra geral apenas como “só um cão”, “só um gato”, “só um animal”.

 

Mas parece que isso não acontece sempre, nem em todos os países. Após a tentativa mundial de salvar o cão de Madrid, Excalibur, da auxiliar de enfermagem espanhola que se tornou a primeira pessoa na Europa a contrair o vírus Ébola, eis que nos Estados Unidos surge um caso semelhante, mas com a garantia de que o animal não será sacrificado.

Excalibur não sobreviveu à ignorância e indiferença das autoridades espanholas, apesar de uma petição internacional ter recolhido mais de 300 mil assinaturas em apenas um dia e de ter havido manifestações em defesa da vida do animal à porta do apartamento onde este se encontrava e de onde foi brutalmente retirado para ser imediatamente eutanasiado, sem nunca sequer terem sido feitas análises para despiste do vírus em Excalibur.

Este drama teve um alcance mundial e foi “trending topic” na rede social twitter, ou seja, esteve no topo dos comentários, e talvez isso tenha salvado agora a vida do cão americano. Ou isso, ou os americanos demonstram ser infinitamente mais inteligentes, cultos e civilizados do que “nuestros hermanos”. Certo é que uma técnica de saúde de Dallas também contraiu o vírus ébola, também tem um cão, mas o Mayor da cidade já informou que “ao contrário de um recente caso espanhol” o cão desta funcionária não será eutanasiado e será mantido a salvo para futuramente se reunir com a sua dona. Mike Rawlings, o responsável por Dallas, disse ao USA TODAY que “o cão é muito importante para a paciente e queremos que esteja seguro”.

Dois países, duas medidas, duas realidades, duas sensibilidades. Tão distintas. Será por civilização, por sensibilidade e bom senso, ou porque a América viu como o Mundo reagiu à morte de Excalibur?

As opiniões “especializadas” continuam a atropelar-se, e ao mesmo tempo diz-se que os cães podem ser portadores assintomáticos do ébola, mas que não há registo de um cão infectado com o vírus. Trata-se do único estudo sobre o assunto, que remonta a 2005, feito pela equipa do mesmo especialista que defendeu que o cão de Madrid não deveria ser morto. Eric Leroy, director do Centro Internacional de investigações Médicas de Franceville, no Gabão, estudou mais de 300 cães naquele território. O resultado refere que foram detectados anticorpos, mas não material genético do vírus nem antigénios. Ou seja, o vírus não foi detectado, embora tivesse sido identificada uma resposta imunitária contra ele.

Se os cães podem ser transmissores ou se têm a capacidade de combater e eliminar o vírus sem o transmitir, continua a ser desconhecido. Calcula-se que o cão seja infectado através de outros animais e pessoas doentes, sabe-se que não têm sintomas e que, pelo que aparenta, eliminam totalmente o vírus. Se não há vírus, não pode ser transmitido. Parece óbvio.

E por cá, neste país que acabou de aprovar uma lei contra os maus tratos a animais, mas onde os animais ainda são coisas, como seria?

 

Filomena Marta

 

Foto: autor desconhecido, Internet, palavras "que todos os seres sejam apoiados com amor" de David Michie, autor da página “The Dalai Lama’s Cat”

 

 

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