Última actualização: 13 May 2016.
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23-11-2017
Director: Filomena Marta
Periodicidade: Semanal

México na vanguarda da protecção animal?

 

Cidades mexicanas proíbem circos com animais
por Filomena Marta

 

 

 

Em Julho de 2014 a Assembleia Legislativa do Distrito Federal (ALDF) da Cidade do México proibiu a utilização de animais nos circos, havendo um prazo de 12 meses para que os espectáculos circenses deixem de usar animais como entretenimento na capital mexicana. A lei foi aprovada quase por unanimidade e deverá entrar em vigor já em 2015, prevendo uma multa de 780 mil pesos em caso de incumprimento.

Segundo a CNN México, nesta votação não houve votos contra, tendo 41 deputados votado a favor da proposta do deputado Jesús Sesma, do Partido Verde Ecologista do México, e existindo 11 abstenções.

Jesús Sesma referiu que esta lei “não deixará sem sustento as famílias que vivem deste tipo de espectáculo”, mas isto levará a que se leve a “inovar e privilegiar o talento humano de mágicos, trapezistas, contorcionistas, acrobatas” e outros artistas.


“Para podermos ter uma sociedade consciente,
sensível e com valores, temos de começar
a ensinar as gerações futuras
de que não precisamos de nos divertir
com o sofrimento de um ser semelhante a nós”,
Karla Valeria Gómez
(deputada da ALDF)


Por seu turno, o deputado Óscar Moguel considera que esta legislação “defende que os animais silvestres, marinhos e domésticos não participem nos espectáculos de circo, pois muitas vezes são humilhados e vítimas de maus tratos” durante e para as exibições circenses.

A proibição não é apenas válida para recintos fechados, porque há casos de animais que acompanham malabaristas, palhaços, equilibristas e outros artistas, casos esses que também são defendidos pela nova lei, de acordo com declarações do deputado Eduardo Santillán.

Fora desta decisão ficaram outros espectáculos públicos, como os delfinários e apresentações teatrais, tendo a ALDF considerado que “a principal problemática dos maus tratos acontece nos circos”.


Na sequência da iniciativa da Cidade do México, a cidade de Querétaro proibiu igualmente a apresentação de animais em circos, prevendo ainda sanções para quem prive os animais usados em espectáculos de ar, luz, alimento e espaço adequado.

Neste momento, diversos Meios de Comunicação noticiam a decisão tomada em Guadalajara no passado dia 8 de Setembro de proibir animais nos circos. O Informador, Meganotícias, El Universal, Igualdad Animal, Publimetro, El Diario, Plano Informativo e o próprio portal oficial do Governo de Guadalajara informam que esta cidade proibiu agora os circos com animais com aprovação pela maioria dos seus deputados.

Outras localidades que adoptaram a mesma lei são Morelos, Colima, Coahuila, Apodaca, Atlixco Puebla, Chihuahua, Veracruz, Naucalpan e vários outros estados e municípios.

Ainda este ano, a cidade de Guerrero aprovou a Lei de Bem-Estar Animal, além de proibir animais em circos, e foi criado no México o primeiro refúgio para animais maltratados por circos, na sequência do conhecimento de diversos casos extremos de maus tratos, como o do urso “Invictus”, mutilado, e da leoa “Morelia”, espancada, que suscitaram uma onda de indignação nas redes sociais, apoiada por políticos, artistas e pela sociedade em geral.

A Lei de Bem-Estar Animal aprovada em Guerrero contempla multas de até 25 mil pesos e prisão de 36 horas para quem lesione, torture, mutile ou maltrate animais, além de proibir a sua utilização em circos, como meio de transporte, lutas de cães e em corridas de touros, novilhos e bezerros. Esta lei proíbe ainda a venda de animais em postos fixos, semifixos ou em veículos estacionados na via pública, mas também a adopção de animais por menores de 18 anos que não sejam acompanhados por um adulto ou por quem exerça a autoridade parental.

Estas decisões colocam o México na vanguarda mundial da protecção animal e da luta contra a utilização de animais em circos, tornando-se um exemplo internacional.

 

O urso Invictus foi resgatado em Março de 2014 de um circo ambulante de Yucatán, onde foi atrozmente mutilado, tendo perdido quase totalmente a mandíbula. O urso negro americano foi salvo pela Profepa, a Procuradoria Federal de Protecção do Ambiente, que também recuperou um tigre de Bengala que tinha ferimentos nas patas e um leão a quem tiraram as garras e as presas. Invictus já recebeu uma prótese de titânio na mandíbula mutilada, que lhe permite voltar a alimentar-se.

 

A leoa africana Morelia sofria profundos maus tratos. O seu “tratador”, que se autodenominava Tarzan, espancava-a na cabeça em cada actuação, perante o riso e os olhares dos presentes. Um dia, um espectador tirou uma fotografia e surgiram as vozes de protesto contra o tratamento que estes animais recebem nos circos, vítimas de maus tratos, mutilação, espancamentos, prisão, solidão, fome, falta de afecto e de atenção.

 

Imagens divulgadas por organizações de protecção animal têm chocado cada vez mais o mundo. Uma dessas imagens revela a brutalidade com que são “treinados” os elefantes bebés para os espectáculos de circo.

 

 

Fotos: excelsior.com.mx; PETA

 

 

 

 

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